
Há cerca de 3 meses, decidi aderir ao Twitter. Para quem anda distraído com estas coisas, o Twitter é uma rede social/ ferramenta de microblogging, que permite enviar actualizações pessoais, contendo apenas texto em menos de 140 caracteres, via SMS, Instant Messenger, e-mail, site oficial ou programa especializado.
Inicialmente, a ideia era promover este espaço, tentando assim, chegar a um público mais alargado. Depois de muitas leituras sobre o assunto, lá me decidi a aderir, reticente, pois relações virtuais não são o meu forte e nunca gostei de redes sociais, nem chats, nem MSN, nem formas de comunicação que me obriguem a interagir com estranhos que não passam de linhas de comando.
Nos primeiros tempos, achei tudo aquilo estranho, sinistro e desinteressante: Os utilizadores vagos, chatos, abordando assuntos e lugares comuns sem o mínimo de interesse e o pior de tudo, a incerteza de poder comunicar o que quer que fosse, havendo uma limitação de caracteres para o fazer.
Sempre que tentava interagir com alguém, ou não tinha resposta, ou a mesma era tosca e sem nexo. Cedo percebi que, se a ideia era encontrar leitores para o blog, podia esquecer, pois o tema deste espaço pouco ou nada interessaria aos meus novos amigos, ou pelo menos, aos que iam aparecendo. Os posts que lá ia colocando sobre artigos no Liberdade Gráfica, raramente tinham acesso via Twitter, o que me levou quase a desistir.
O tempo foi passando, mais utilizadores (ou followers, pessoas que nos "seguem", ou seja, que lêem o que escrevemos e interagem connosco) foram chegando.
Lentamente, fui libertando as amarras do meu preconceito contra as redes sociais, e fui tentando encontrar utilizadores "interessantes" , procurando nas suas escritas motivos para interagir com eles. Finalmente, ao fim de algum tempo, fui começando a gostar de trocar ideias com alguns, pela sua inteligência, argucia e modo de expor os assuntos, alguns sem interesse para mim, mas que se abordados de forma inteligente, me levaram a criar laços de simpatia. Como em qualquer outra parte do mundo virtual ou do real, existe de tudo, para todos os gostos, é só procurar um pouco, e acabamos por encontrar pessoas que partilham dos nossos gostos, das nossas ideias e que nos confrontam com novas realidades, atitudes e divergências.
Nem tudo são rosas, e Também há trolls e gente sinistra, como em qualquer outro sitio do mundo. Conclui que, também no Twitter, existem pessoas cuja noção de liberdade se limita ao seu casulo, conclusão tirada depois de assistir "de bancada" a um individuo, bastante conhecido na bloga, com uma legião de seguidores, tanto no Twitter como no seu blog (que é considerado dos melhores em Portugal mas que eu, pessoalmente, e independentemente da situação que relato, acho desinteressante e sem o mínimo de conteúdo relevante), denunciar outro utilizador como spam, apenas por este não concordar com a sua opinião acerca de um outro user do serviço, chegando inclusivamente a utilizar uma linguagem de pura arrogância com outros utilizadores que o chamavam a atenção para a palermice do seu acto.
Claro que episódios destes acontecem em todo o lado, e no Twitter temos a possibilidade de bloquear um imbecil destes e nunca mais ter de aturar a sua mesquinha estupidez.
Para concluir, hoje posso dizer que existem pessoas muito interessantes, com muito para dizer, com estilos de vida fantásticos, e que só as conheci graças ao Twitter. Quando este artigo surgir no blog, e se tudo correr como previsto, estarei a jantar com alguns dos amigos que fiz o que, espero eu, será bastante motivador e interessante, (e uma novidade para mim, visto nunca ter conhecido ninguém do mundo virtual) pois as pessoas com quem usualmente mais partilho ideias, passarão a ter um rosto, uma voz, um sentido.
Independentemente de como correrá este encontro, mudei a minha opinião sobre redes sociais, pois existe muito mais do que palavras por detrás de cada mensagem, por detrás do que aparece no monitor; gente como eu, como nós, com problemas e alegrias, com muito para contar e sobretudo, com a capacidade de partilhar o seu tempo com os outros.
Se eu agora podia viver sem o Twitter? Podia, mas não era a mesma coisa :-)